terça-feira, outubro 20

Quando o jornalismo parece ficção. De quem é a culpa?

Parecia mais ficção o que eu vi no Jornal da Globo da terça-feira, ou seja, três dias após o abortado golpe dos "alemão" que quiseram tomar os Macacos, em Vila Isabel. A Cristiane Pelajo/Pelágio (nunca sei o nome dessa moça, que não é nenhuma Lilian Wite Fibe, mas tem talento) chamando ao vivo o repórter Fabiano Vilela - um talento dessa nova geração global, junto com a Ana Paula (aquela mulata linda que ficou cinza no fogo cruzado quando o bicho ainda estava pegando na guerra de quadrilhas e polícia e meteram bala contra os carros de repórtagens, segundo ela. Vamos combinar, se bandido não se intimida com a polícia, vai ficar na paz diante do quarto poder. Rs,rs,rs!!!). O garotão estava - certamente por acertada medida de precaução da Globo em proteger a vida de seus profissionais - na entrada do Boulevard 28 de Setembro, próximo ao Hospital Pedro Ernesto. Certamente dali ele e o cinegrafista perdiam a visão do que poderia entrar no bairro pela UERJ, Rua 8 de dezembro, Rua Duque de Caxias, Rua Torres Homem e aí só Deus sabe (ou melhor, os moradores dos Macacos sabem) onde aquilo qu entrou longe da visão Global ia parar. E o Fabiano afirmava para a Cristiane que estava tudo calmo no bairro de Noel. Calmo como meu querido, se pela Rua Torres Homem passou pelo menos "um blindado" - caveirão virou gíria jornalística. Na favela que é a maior vítima, é blindado mesmo. Ou 'brindado'. Pela Luís Barbosa subiam várias blazers (é assim o plural de blazer?). Ou patamo, na minha época de jornalista da editoria de polícia. (Nessa minha época a pólícia tinha até joanhinha!) Enquanto a Globo insistia em afirmar que estava tudo calmo, gente honesta que mora no morro dormia sentado nas cadeiras de plástico do único botequim que se atreveu a ficar aberto até mais tarde naquela terça-feira. O risco de colocar o 'U' na reta era maior. E dobrado. Nada lhes garantia que no morro tivesse apenas os "vermes" - como principalmente viciados costumam se referir aos agentes da lei - ou o "comando", que a gente que mora na pista também sabe qual é, não é mesmo? Fora a ficção que se tornou a notícia, o que mais me deixou triste foi o diálogo que presenciei nesse botequim - conhecido como 24 horas da Luis Barbosa - entre um nordestino e um jovem negro de 22 anos. "Nagão, eu sou paraiba. Vim do nordeste com 2 anos e moro nos Macaco há 32. Você tem só 22. É negão, não sobe naõ. Não arrisca tua pele porque vão te parar e podem te esculachar porque você negão". E o garotão, o negão: "É ruim de eu subir. Vou esperar amanhacer. Mas você pode subir, porque é branco". Depois dessa, acaba a postagem. E encerro por hoje, este assunto que me assusta muito: a violência da arma, a violência da submissão, a violência da raça. Ah, toda violência!

Nenhum comentário:

Postar um comentário